De volta a 'Sequestro' e dono de papéis icônicos, Idris Elba avalia: 'É uma era de buffet livre da TV'
Acostumado a personagens icônicos, Idris Elba tenta adicionar mais um ao currículo A maioria das pessoas ficaria satisfeita ao dar vida a um personagem icôni...
Acostumado a personagens icônicos, Idris Elba tenta adicionar mais um ao currículo A maioria das pessoas ficaria satisfeita ao dar vida a um personagem icônico da TV em suas carreiras. Aos 53 anos, o ator britânico Idris Elba é famoso por ser o rosto de pelo menos dois deles – mas dá crédito aos roteiristas que escrevem e criam tais papéis. "A escrita faz o ícone. O ator dá vida a ele. Eu não escrevi o Stringer Bell. Ele foi escrito", diz Elba, em entrevista ao g1. Ele se refere, é claro, ao famoso traficante de "The Wire", uma das séries mais importantes daquela que é conhecida como a Era de Ouro da Televisão. "Qualquer um poderia interpretar o Stringer, mas a versão que nós vimos apenas um ator poderia fazer. É uma impressão digital. Então, é legal ouvir que eu fiz personagens icônicos, mas eu acho que tive sorte de estar em histórias icônicas, sabe, como ator." Depois de interpretar o personagem entre 2002 e 2004, ele assumiu o detetive John Luther, na série britânica "Luther", ao longo de cinco temporadas entre 2010 e 2019. Nesse tempo, ainda encontrou espaço para se dedicar a outras paixões, como ser DJ e rapper, além de participações na "The Office" americana e nos filmes da Marvel como o deus nórdico Heimdall, e até de interpretar Nelson Mandela em "Mandela: O caminho para a liberdade" (2013). Atualmente, aparece novamente como o negociador corporativo Sam Nelson, protagonista da série "Sequestro", que lança o segundo episódio de sua segunda temporada nesta quarta-feira (21) na plataforma de streaming Apple TV. Com tanta experiência dos dois lados do Atlântico, o ator avalia que a televisão mundial passa por uma nova fase. "Tem muita TV sendo feita. Se o público ama televisão, agora é uma era de buffet livre de TV", afirma Elba. "Há uma conclusão de ciclo agora, porque há muitas coisas que não são tão boas, e há também coisas que estão realmente se destacando." "E elas estão recebendo de verdade a atenção que merecem. Acho que definitivamente encoraja roteiristas e diretores a pensar de forma mais profunda e realmente fazer algo que tenha impacto e que perdure." Idris Elba em cena de 'Sequestro' Divulgação 'Sequestro 2'? Qualé "Sequestro" foi criada e lançada em 2023 como uma minissérie. A decisão de criar uma segunda temporada gerou uma série de problemas no mínimo interessantes. A começar pelo título no Brasil, diferente do original, em inglês. Nos Estados Unidos sempre foi apenas "Hijack". "Sequestro" mesmo. Já por aqui virou "Sequestro no ar", baseado na trama sobre um avião sob domínio de bandidos em uma viagem entre Dubai e Londres. Mas os novos episódios levam a história para o metrô de Berlim – então dá para ver o motivo pelo qual o nome teve de ficar mais próximo ao americano, né. Há também, é claro, o pequeno detalhe de como justificar o fato de que o personagem de Elba continua a se meter em situações do tipo, mesmo sem trabalhar para qualquer tipo de polícia. O próprio ator chegou a falar, pouco depois da primeira temporada, que até voltaria ao protagonista, mas que não aceitaria um novo sequestro. "Tínhamos que pensar no sentido. 'Sequestro 2'? Qualé. Eu sou essa pessoa (que pergunta): 'Sério?'. Mas acho que ficaram muitas perguntas sem resposta na primeira temporada. Acho que o público ficou se perguntando o que aconteceu com o Sam. O que aconteceu com os caras que fizeram isso", defende o britânico agora. "E acho que a segunda temporada foi uma oportunidade para pegarmos um bom formato, que o público claramente gostou, e responder algumas dessas perguntas. Então, as conversas envolveram como fazer isso e como manter a mesma claustrofobia. E então, claro, o trem entrou na mistura." Idris Elba em cena de 'Sequestro' Divulgação Não há 'Sequestro' sem sequestro Os criadores da série chegaram a discutir a mudança de crime, ou de situação, mas viram que não faria muito sentido. "Você não pode ter uma série chamada 'Sequestro' sem um sequestro. Então, você tem que enfrentar o problema de frente e dizer que vai ser um sequestro. Acredite em mim, nós pensamos em todas as outras possibilidades que existem", fala um deles, o também britânico Jim Field Smith. "Não dá para simplesmente ter o Sam Nelson saltitando para dentro de outro sequestro. Qual a chance? Ele deve ser o cara mais azarado do planeta. Sabe, esse cara deveria parar de entrar em qualquer forma de transporte e simplesmente ficar em casa." Mas, mais do que o título, o público havia gostado de ver o negociador especializado em fusões corporativas metido com bandidos e mafiosos. Tanto que a então minissérie se transformou em um dos maiores sucessos da Apple TV. O jeito foi colocar o herói mais no centro da ação – de uma forma que logo no primeiro episódio, lançado no último dia 14, ficasse bem claro que sorte não teve nada a ver com o envolvimento do personagem nessa nova trama. "Este foi um dos truques com os quais definitivamente brincamos nessa nova temporada. Você acha que conhece o Sam, mas não o conhece. Você acha que sabe o que aconteceu com ele desde a última vez em que o viu. E você não sabe do que esse cara é capaz. Até porque nem ele sabe", afirma o roteirista e diretor. "Essa temporada explora um lado completamente diferente dele, que você não viu na primeira. É um lado mais sombrio. É um lado vingativo."