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Deixa eu dizer o que penso do álbum em que Claudya revê 60 anos de carreira...

Claudya em cena no show que gerou o álbum ao vivo em que comemora 60 anos de carreira iniciada, a rigor, em 1965 Alisson Salles / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ...

Deixa eu dizer o que penso do álbum em que Claudya revê 60 anos de carreira...
Deixa eu dizer o que penso do álbum em que Claudya revê 60 anos de carreira... (Foto: Reprodução)

Claudya em cena no show que gerou o álbum ao vivo em que comemora 60 anos de carreira iniciada, a rigor, em 1965 Alisson Salles / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Deixa eu dizer – 60 anos de carreira, ao vivo Artista: Claudya Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ Em cena desde 1965, ano em que, já estabelecida em São Paulo (SP), debutou no programa “O fino da bossa” e gravou o primeiro single com as músicas “Deixa o morro cantar” e “Sorri”, Claudya completa 61 anos de carreira em 2026. Contudo, para facilitar a promoção e a circulação do show que tem apresentado por capitais como São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), a cantora carioca – criada em Juiz de Fora (MG) a partir dos nove anos – criou a efeméride dos 60 anos de carreira. Nos aplicativos desde ontem, 4 de setembro, em edição da gravadora Kuarup, o álbum “Deixa eu dizer – 60 anos de carreira, ao vivo” é o registro desse show orquestrado com direção musical e arranjos do pianista Alexandre Vianna, produtor musical do álbum ao lado de Graziela Medori, filha de Claudya. Dividindo o palco com sete músicos e um par de vocalistas, com direito a um trio de metais, a cantora revê esses 61 anos de carreira com boa produção e com ênfase no repertório da década de 1970, fase áurea da trajetória discográfica da artista. Cantora e compositora nascida Maria das Graças Rallo em 10 de maio de 1948, há 78 anos, Claudya preserva – nos limites impostos pelo tempo – a singularidade de voz que sempre conjugou afinação e balanço. A ginga com que cai no pot-pourri de quatro sambas que abre o álbum – “Deixa eu dizer” (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, 1973), “Só que deram o zero pro Bedeu” (Luis Vagner, 1973), “Agora quem ri sou eu” (Claudya e Cristiê, 1973) e “Garra” (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1971) – atesta a contínua habilidade da artista para cair no suingue com apurado senso rítmico. Samba que batizou álbum de 1973, “Deixa eu dizer” é também o título do disco ao vivo porque se tornou a música mais importante da carreira de Claudya desde que, em 2008, o rapper Marcelo D2 sampleou o refrão do registro original e o inseriu na gravação da música “Desabafo”, ação que fez a então esquecida Claudya ser descoberta por novas (e até por antigas) gerações. Mas o fato é que ouvir o álbum “Deixa eu dizer – 60 anos de carreira, ao vivo” – captado na apresentação feita pela cantora em março na Casa Natura Musical, em São Paulo (SP) – é constatar que Claudya poderia ter tido uma discografia menos errática a partir da segunda metade dos anos 1980. Até porque, em 1983, a artista viveu momento de consagração nos palcos brasileiros ao interpretar a líder política argentina Eva Perón (1919 – 1952), protagonista do musical “Evita” (1983). O musical foi um dos maiores sucessos do teatro brasileiro na década de 1980 sem que esse êxito retumbante tenha alavancado a carreira fonográfica de Claudya. Ao contrário. Após “Evita”, a cantora passou a gravar álbuns e singles em selos de menor alcance no mercado fonográfico. É por isso que o roteiro do show perpetuado no álbum “Deixa eu dizer – 60 anos de carreira, ao vivo” está concentrado no repertório da cantora nos anos 1970, sobretudo nas músicas dos três álbuns lançados por Claudya entre 1971 e 1973 na gravadora Odeon. Com ginga e a voz da maturidade, Claudya cai no samba-rock “Menina Fulô” (Luiz Wanderley, 1971), se afina com a fenomenal Alaíde Costa na atmosfera de samba-canção que envolve “Dindi” (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959), canta o spiritual “Jesus Cristo” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) – saudando o canto soul do vocalista Izzy Mistura na introdução do número – e pesca a pérola “Panema Leblon” (Sérgio Fayne e Vitor Martins, 1971) em duo com Ayrton Montarroyos, grande cantor de alma antiga. Fechando o trio de convidados da gravação ao vivo, Patricia Marx entra em cena para reviver com Claudya o samba “Com mais de 30” (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1971). O samba é um dos maiores sucessos da carreira de Claudya, mas a letra envelheceu mal porque, se em 1971 ecoava ideologia hippie contra o sistema, atualmente soa etarista e até risível ao recomendar descrença em quem tem mais de 30 anos. Da fase pós-1973, a cantora revive “Reza, tambor e raça” (Claudya e Tony Osanah), música-título de álbum de 1977 que ecoou africanidade evidenciada seis anos antes no afro-samba-funk “Ossain”, tema de Antonio Carlos & Jocafi com Ildásio Tavares lançado pela cantora no álbum “Jesus Cristo” em 1971, um ano antes da gravação da dupla. Aliás e a propósito, o show eternizado no álbum “Deixa eu dizer – 60 anos de carreira, ao vivo” está aí para lembrar que foi Claudya a intérprete original de músicas como “Pois é, seu Zé” (Gonzaguinha, 1973), samba que encerra o registro de show que deixa no ar a sensação de que, pela grandeza do canto revelado em 1965, Claudya poderia ter sido mais ouvida ao longo dos 61 anos de carreira que não fluiu como a ginga da cantora. Capa do álbum 'Deixa eu dizer – 60 anos de carreira, ao vivo', de Claudya Alisson Salles com design de Diego Assunção