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'Digger', com Tom Cruise, acerta na crítica sobre fim do mundo mesmo com sátiras sem graça; g1 já viu

Tom Cruise em 'Digger' Divulgação O filme "Digger", estrelado por Tom Cruise e dirigido por Alejandro González Iñárritu, vai bem ao mostrar que o fim do mu...

'Digger', com Tom Cruise, acerta na crítica sobre fim do mundo mesmo com sátiras sem graça; g1 já viu
'Digger', com Tom Cruise, acerta na crítica sobre fim do mundo mesmo com sátiras sem graça; g1 já viu (Foto: Reprodução)

Tom Cruise em 'Digger' Divulgação O filme "Digger", estrelado por Tom Cruise e dirigido por Alejandro González Iñárritu, vai bem ao mostrar que o fim do mundo tá chegando mas não consegue acertar o tom ao fazer sátiras. No longa, que estreia nesta quinta-feira (1º), Tom Cruise interpreta Digger Rockwell, um magnata norte-americano do ramo do petróleo que é informado por seu diretor de segurança ambiental, o cientista Dr. Ganesh (Riz Ahmed), de que sua sede de dinheiro pode causar uma catástrofe ambiental sem precedentes. 🚨 Antes de seguir, um disclaimer: o longa tem um plot muito importante para a história. Para não estragar a experiência de quem vai ver o filme pela primeira vez, não vou entrar em detalhes sobre a trama. Agora no g1 O diretor Iñárritu, que já venceu o Oscar com "Birdman", tenta mostrar um bilionário caipira cercado de bajuladores e que só se importa com sua gata moribunda de mais de 30 anos. A forçação de barra com a realidade acaba ficando distante do que a sátira pode ter de melhor: o humor fino. Um presidente à beira da morte por conta de um câncer anal e representantes das Forças Armadas norte-americanas querendo "explodir tudo a todo momento" deixam o diretor mais próximo de David Zucker, de "Corra que a Polícia Vem Aí!", algo na linha do besteirol com crítica social. No entanto, quando tenta se levar mais a sério, o longa vai muito bem. Em certo momento, Digger e seu funcionário precisam dar explicações a uma espécie de parlamento europeu sobre os problemas ambientais causados pela empresa de petróleo. Após instigar o Dr. Ganesh a falar toda a verdade (que seu patrão só pensa em dinheiro, mesmo que isso custe a saúde do planeta Terra), Digger faz um monólogo carregado de verdades brutais: no fim das contas, as autoridades não estão muito interessadas em resolver o problema que vai acabar com tudo. E é muito mais fácil culpar um bilionário excêntrico (Elon Musk?) enquanto seguimos sugando até a última gota dos nossos recursos naturais. E esse monólogo nos leva à atuação de Tom Cruise, um dos grandes pontos altos do filme. Na última década, você ouviu falar dele fazendo filme de aventura, ação ou coisa que o valha. E ele vai muito bem nesse estilo. Mas, em "Digger", ele mostra que pode muito mais mesmo (não é à toa que ele é considerado um ator geracional). O ator vai muito bem no seu papel e consegue criar uma conexão com profundidade. Depois de um prêmio "pelo conjunto da obra", quem sabe vem uma estatueta pra valer. Vale lembrar que foi Iñárritu quem "conduziu" Leonardo DiCaprio à sua primeira estatueta de Melhor Ator em "O Regresso". Dá pra sonhar. Tom Cruise no filme 'Digger' Divulgação Ah, e sobre atuação, Riz Ahmed e Jesse Plemons (outro que aparece num monólogo excelente) também vão muito bem. O segundo ponto alto do filme, que também acaba afetando a atuação de Cruise, é a caracterização. Na comédia "Trovão Tropical", de 2008, ou até mesmo em "Rock of Ages", ele passa por processos de mudança no visual, mas nada se compara a "Digger", em que tem que fazer um homem gordo e idoso. Ao longo do filme, a execução da ideia ficou excelente. O filme todo, de maneira geral, é muito bonito e já está sendo cotado para algumas categorias técnicas no Oscar. Agora, voltando para a direção de Iñárritu... O diretor Alejandro González Iñárritu e o ator Tom Cruise no lançamento de 'Digger' Hannah McKay/Reuters Bom, é um filme que se propõe a fazer algumas críticas sociais que estão em voga. A impressão é que ele até consegue, e de maneira que você não precisa pensar tanto assim em camadas. Tem um pouco disso, um pouco daquilo e beleza. Você entende. O longa passa um pouco a impressão de massaroca, de tentar falar sobre mais de uma coisa em pouco tempo, com um formato até interessante. Talvez isso acabe gerando um incômodo, um ruído de fluidez mesmo. No fim das contas, a atuação de Tom Cruise e cia. e a fotografia fazem com que o filme seja interessante, com um tema central que está em alta e não te deixa incólume. Nada de cérebro lisinho como um peito de frango nessa aqui. Arte/g1