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O que é e para que serve o sensor no braço de José Loreto em ‘Quem Ama Cuida’?

Reprodução/Instagram/gshow O pequeno disco branco que aparece no braço de José Loreto em cenas de Quem Ama Cuida é um sensor de monitoramento contínuo de ...

O que é e para que serve o sensor no braço de José Loreto em ‘Quem Ama Cuida’?
O que é e para que serve o sensor no braço de José Loreto em ‘Quem Ama Cuida’? (Foto: Reprodução)

Reprodução/Instagram/gshow O pequeno disco branco que aparece no braço de José Loreto em cenas de Quem Ama Cuida é um sensor de monitoramento contínuo de glicose, tecnologia usada por pessoas com diabetes para acompanhar as variações da glicemia ao longo do dia. Loreto tem diabetes tipo 1 desde os 14 anos. O aparelho fica preso à pele e tem um filamento muito fino inserido logo abaixo dela. Em vez de medir diretamente o açúcar no sangue, como ocorre no teste feito com uma gota retirada da ponta do dedo, o sensor acompanha a glicose no líquido intersticial, que fica entre as células, e registra sucessivas medições ao longo das 24 horas. As informações podem ser consultadas em um leitor ou no celular e mostram não apenas o valor da glicose naquele instante, mas também sua tendência —se está subindo, estável ou caindo. Em alguns modelos, o sistema ainda emite alertas diante do risco de hipoglicemia ou hiperglicemia. Insulina, sensores e correções no jogo: como Zverev administrou a diabetes até o título Sensor não aplica insulina O aparelho usado por Loreto serve para monitorar a glicose, não para liberar insulina no organismo. Essa distinção é importante porque, na diabetes tipo 1, o tratamento depende da reposição do hormônio que o pâncreas deixou de produzir. As leituras do sensor ajudam a pessoa a decidir, de acordo com a orientação médica, quando é necessário corrigir uma glicose elevada, ingerir carboidrato diante de uma queda ou ajustar a dose de insulina associada às refeições. É também por isso que acompanhar apenas um número isolado pode não ser suficiente. Uma glicose de 100 mg/dL, por exemplo, tem significados diferentes se estiver estável ou se estiver caindo rapidamente. Os sensores mostram essa direção por meio de setas de tendência. Para o endocrinologista Clayton Macedo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e do Hospital Israelita Albert Einstein, essa é uma das principais vantagens da tecnologia: ela permite perceber uma queda antes que a glicose atinja níveis perigosos. Alguns equipamentos também disparam alarmes diante do risco de hipoglicemia, inclusive durante o sono. Por que quem tem diabetes precisa monitorar glicose Na diabetes tipo 1, o sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Sem o hormônio, a glicose se acumula no organismo e precisa ser controlada com aplicação de insulina e monitorização frequente. As oscilações podem ocorrer ao longo de todo o dia. Alimentação, atividade física, doses de insulina, sono, estresse e até uma infecção podem interferir nos níveis de glicose. Quando ela cai demais, ocorre a hipoglicemia, que pode provocar tremores, suor, palpitação, confusão e, nos casos mais graves, perda de consciência e convulsões. No sentido oposto, a hiperglicemia é a elevação excessiva da glicose. Se persistente, aumenta o risco de complicações; em pessoas com diabetes tipo 1, uma descompensação grave também pode evoluir para cetoacidose diabética. Sem o sensor, esse acompanhamento costuma ser feito por meio da glicemia capilar, com uma pequena punção no dedo. A endocrinologista Joana Dantas, da SBEM e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), explica que pessoas com diabetes tipo 1 podem precisar fazer várias dessas medições ao dia, incluindo antes das refeições e antes de dormir. O sensor amplia essa fotografia. Em vez de alguns pontos isolados, registra o comportamento da glicose durante praticamente todo o dia e permite identificar, por exemplo, quedas durante a madrugada ou elevações recorrentes depois de determinadas refeições. Sensor e picada não medem a mesma coisa Apesar de ambos serem usados para acompanhar a glicose, os dois métodos fazem medições em locais diferentes. A glicemia capilar analisa a glicose diretamente no sangue. Já o sensor mede sua concentração no líquido intersticial, que envolve as células. Isso provoca um pequeno atraso entre a mudança observada no sangue e aquela captada pelo aparelho. A diferença tende a ficar mais perceptível quando a glicose está subindo ou caindo depressa, como durante exercício intenso ou após uma refeição. Por isso, o teste no dedo não desapareceu com a chegada dos sensores. Ele ainda pode ser necessário para confirmar uma leitura, principalmente quando o valor mostrado pelo equipamento não combina com os sintomas da pessoa ou diante de suspeita de hipoglicemia. Tipos de sensores Embora sejam parecidos por fora, os dispositivos disponíveis não funcionam todos da mesma forma. Nos sistemas conhecidos como flash, o sensor armazena as informações, que podem ser consultadas com um leitor ou celular. Já os equipamentos de monitoramento contínuo em tempo real enviam as medições automaticamente e podem emitir alarmes quando a glicose ultrapassa determinados limites ou começa a cair rapidamente. A duração também varia conforme o modelo. Em geral, o dispositivo permanece preso à pele por cerca de duas semanas antes de ser substituído. O uso contínuo permite ainda calcular indicadores que vão além da glicemia de um único momento. Um deles é o tempo no alvo, que mostra quanto do dia a pessoa permanece dentro da faixa de glicose estabelecida para ela. Esse tipo de dado ajuda o médico a identificar padrões que poderiam passar despercebidos em medições pontuais. Existem sistemas que liberam insulina automaticamente O disco preso ao braço, sozinho, é apenas um monitor. Mas os sensores também podem fazer parte de sistemas mais complexos. Nos chamados sistemas híbridos, o monitor se comunica com uma bomba de insulina, equipamento que libera pequenas quantidades do hormônio continuamente. Um algoritmo utiliza as leituras da glicose para aumentar, diminuir ou suspender parte dessa liberação. Essas tecnologias são chamadas, de forma mais coloquial, de sistemas de “pâncreas artificial”, porque automatizam parte de uma função que o organismo perdeu. Mesmo nesses casos, porém, o tratamento não funciona de maneira totalmente autônoma. A pessoa continua precisando acompanhar o sistema, informar refeições em muitos modelos e seguir as orientações da equipe de saúde. Benefício além de evitar picadas no dedo A redução das punções é uma das vantagens mais visíveis do monitor contínuo, mas não é a principal diferença do ponto de vista médico. Ao acompanhar a curva de glicose durante as 24 horas, o dispositivo pode ajudar a diminuir episódios de hipoglicemia, reduzir o período em que a glicose permanece fora da faixa desejada e melhorar o controle da doença a longo prazo. Também permite ao médico enxergar alterações que aconteceriam entre uma medição capilar e outra. É essa capacidade de transformar uma sequência de números em uma curva —mostrando não só quanto está a glicose, mas para onde ela está caminhando— que tornou o pequeno sensor no braço parte da rotina de muitas pessoas com diabetes tipo 1.